Curatorship

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Laerte Ramos, há vinte e três anos atuante no circuito cultural de arte contemporânea como artista, diretor da produtora Studium Generale desde 2014 e curador, organiza projetos a fim de disseminar cultura em suas inúmeras linguagens e possibilidades. Com foco em artistas emergentes, desenvolve projetos de curadoria, orientações de pesquisa e conexões entre artistas e atelier, resultando em exposições e mediações de arte. Em parceria com sua produtora, desenvolve documentários a fim de aproximar o público das pesquisas de arte contemporânea, facilitando o acesso a arte e sua compreensão. 

    Em sua pesquisa pessoal, também promove projetos com xilogravura, serigrafia, performance, desenho, video-arte, fanzine, escultura feltragem e cerâmica/porcelana. Participou da EXPO Milano em 2015 representando seu país no pavilhão brasileiro assim como desenvolveu o projeto “Casamata” no Octógono da Pinacoteca de São Paulo. Participou de residências na Cité dês Arts na França, no EKWC na Holanda, na Bordallo Pinheiro e Vista Alegre em Portugal, na Beyeler Foundation na Suíça e no TPW/Jingdezhen na China entre outras. 

    Em 2017 deu início as práticas curatoriais de fato, inaugurando no ano seguinte a mostra “SCAPELAND - Território de Trânsito Livre” com 54 artistas no Memorial da América Latina em São Paulo, que contava ainda com um módulo especial de performance. Em 2019 trabalhou como curador na mostra “Compreensão do AR (ou E=M2)” do artista plástico falecido Egidio Rocci (1960 - 2015) em parceria com o SESI proporcionando uma exposição itinerante em quatro cidades: São José dos Campos, Campinas, Itapetininga e São José do Rio Preto. Ainda em 2019, participou como curador da exposição “Onde a Distância do Horizonte se Perde”, da artista Ana Takenaka, sendo esta última parte de um programa de residências do coletivo Piratininga. 

    Em 2020, Ramos recebe o prêmio Marcantônio Vilaça - FUNARTE, com uma mostra póstuma de Egídio Rocci, que foi doada por completo para o acervo do Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba - MACS, em São Paulo. No mesmo ano recebe ainda o l˚ Prêmio Adelina de Curadoria pelo Instituto Adelina com a mostra AMAZONA com as artistas Hadna Abreu (Manaus), Renata Cruz e Laura Gorski (São Paulo). Há três anos participa como convidado para orientar artistas em formação na OMA galeria em São Bernardo do Campo. 

    Atualmente desenvolve dois projetos simultâneos como curador: 

 

- IMERGE 2020 - Paraty

Curador convidado para selecionar, acompanhar e organizar experiências com oito artistas em um projeto de imersão com laboratórios, palestras, performance e demonstrações aberto ao público para inscrição na cidade de Paraty.

+info: www.imerge.com.br 

 

- AR: Acervo Rotativo

Curador e organizador do “AR - Acervo Rotativo” que consiste na construção de um Acervo público itinerante e sem sede. As obras de 5x5cm, ou 5x5x5cm são doadas para o “AR” pelos artistas a fim de disseminar a arte pelas 5 regiões do país focando instituições carentes e tornando possível intermediar obras, artistas e público de uma maneira eficaz e menos custosa, uma vez que a cultura vem sofrendo cortes agudos de verbas na última década. O projeto contará com cerca de 100 artistas participantes em sua primeira etapa (2019/2020/2021) e com uma média de três a quatro exposições por ano tomando todo o território brasileiro.

+info: @acervorotativo  (site em construção)

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"AMAZONA"

2020 - Instituto Adelina

Artista: Egidio Rocci

Curador: Laerte Ramos

Fotos: Anna Bogaciovas
Vídeo:
Anna Bogaciovas

AMAZONA

 

Respire fundo, solte o ar devagar. Ouça sua respiração. 

 

Imagine uma floresta, os sons, o cheiro, os detalhes. Os mínimos detalhes. Foque o olhar, com calma, e agora observe. 

 

Observe.

 

Chegue mais perto. Sinta a imensidão e a sua pequenez. 

 

Esse é o ponto de partida para adentrarmos a floresta. Entramos através das sensações e percepções de três mulheres que vivenciam uma Amazônia que não a contada nos jornais com onças e araras, queimadas e disputas, mas uma que tem urgência em ser transmitida antes que desapareça.  

 

O deslocamento para dentro da floresta faz com que a imensidão mude de dimensão. O grande, fica pequeno e o pequeno, qual é o lugar do pequeno? Qual o seu lugar nessa imensidão? Pertencer não tem a ver só com o espaço mas também com o lugar das coisas.

 

A floresta é um grande dentro, a semente. Quanto mais se entra, mais ela te convida para explorar, maior fica. O silêncio. O extraordinário toma seu lugar no silêncio. É nele que é possível entender o lugar. Em cada detalhe, o fabuloso. Nele estão as sensações. 

 

Tudo aquilo que se permite tocar atravessa e nada mais será como antes. A natureza acolhe ao passo que entorpece. Em cada folha, cor e curva que nos leva a novas paisagens, jogos de luz e sombra projetados por cogumelos revelam um micro mundo misterioso. Muitas pistas são deixadas nesse caminho: galhos, terra, raízes, cascas, carcaças, pedras. Os insetos, com seus trajes mutantes, transformam o lugar e, de forma sutil, também observam. As vezes é preciso buscar longe, tudo aquilo que está ali dentro da floresta. 

 

Hadna faz da Amazônia seu quintal desde pequena. Em suas aquarelas, deixa fluir a floresta que nem rio conduzindo todas as memórias vivas das suas visitas. Livres, essas memórias tomam outras formas e superfícies peculiares. Aqui a tecnologia é mágica pois só ela é capaz de reproduzir o encanto da bioluminescência. 

 

Laura foi atravessada pela paisagem que existia dentro dela conforme caminhava mata adentro. A cada passo, mais  fragmentos para que ela se conecte cada vez mais com aquela terra. Fazer parte do todo - onde o tempo não mede as horas e sim permanência - conecta o agora com os ancestrais através da mesma terra, num eterno ciclo. 

 

Renata ouve no silêncio. É assim que ela atende os pedidos que a floresta e seus habitantes lhe fazem. Um pássaro que pousa calmamente para que seja visto, se deixa observar, observando. Quantos mais ali passaram e ainda se veem? Os pequenos detalhes, a presença de muitas histórias que ainda não foram contadas: a palavra que não se traduz. 

 

Essas mulheres que desbravam a si mesmas em seu tempo, armadas de sua sensibilidade, aceitam que eu as acompanhe pelo desconhecido conectando espaços, tempos, e nos autorizando observar através de seus olhares e fazeres. Deslocamentos permitem observar outras vistas, permitem sair da zona de conforto, do lugar comum. Faltam palavras, sobram sensações.

 

É assim que saio do meu lugar de protagonista para ser observador. E assim me sinto, e sou parte do todo, de tudo que nos conecta.

 

 

 

laerte ramos // agosto 2020

AMAZONS (ENGLISH)

 

Take a deep breath, let it out slowly. Listen to your breathing.

 

Imagine a forest, the sounds, the smell, the details. The tiniest details. Focus your sight, calmly, and now watch.

 

Watch.

 

Get closer. Feel the immensity and your own smallness.

 

This is the starting point for entering the forest. We enter through the sensations and perceptions of three women who experience an Amazon Forest that is not told in the news with jaguars and macaws, bushfires and disputes, but one that has an urgent need to be communicated before it disappears.

 

The dislocation into the forest causes the immensity to change in size. The huge becomes small and the small, where does the small belongs? Where do you belong within the immensity? Belonging is not about occupying any given space but about the place of things.

 

The forest itself is actually a grand inside, a seed. The further you enter, the more it invites you to explore, the larger it gets. The silence. The extraordinary takes place in silence. In the silence, the place becomes understandable. Fabulous, in each detail, where the sensations are.

 

Everything that is allowed to touch goes through and nothing else will be as before. Nature welcomes while it dulls. In each leaf, color and curve taking us to new landscapes, sets of light and shadow projected by mushrooms reveals a mysterious micro world. Many tracks are left on this path: branches, earth, roots, barks, carcasses, stones. Insects, with their mutant costumes, transform the place and, in a subtle way, are also observers. Sometimes it is necessary to search afar for everything that is there in the forest.

 

Hadna has made of the Amazon her backyard since she was little. In her watercolors, she lets the forest flow like a river leading all the vivid memories of her visits. Free, these memories take on other peculiar shapes and surfaces. Here the technology is also magic as only it is able to reproduce the delight of bioluminescence.

 

Laura was crossed by the landscape existing inside her as she walked into the forest. In each step, more scraps inducing a stronger connection to that land. Being part of the whole - where time does not measure hours but permanence - connects the present to ancestrality through the same land, in an eternal cycle.

 

Renata hears in the silence. This is how she responds to the requests from the forest and its inhabitants. A bird landing quietly to be seen, allows itself to be observed as it also observes. How many more have passed by and still see each other? The little details, the existence of many untold stories: words with no translation.

 

These women who explore themselves in their time, armed with sensitivity, accept that I follow them through the unknown connecting spaces, times, authorizing ourselves to observe through their sights and actions. Displacements allow us to observe other views, allow us to leave our comfort zone, the common place. Words are missing, sensations are profusing.

 

That's how I leave my role as a protagonist to be an observer. And so I feel, and I am part of the whole, of everything that connects us.

 

laerte ramos // august 2020

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"Compreensão do AR ou (E=M2)"

2019 - SESI - São José dos Campos

2019 - Sesi - Campinas

2019 - SESI - Itapetininga

2019 - SESI - São José do Rio Preto

Artista: Egidio Rocci

Curador: Laerte Ramos

Fotos: PH Rosa

Compreensão do AR (ou E = M2)

A exposição Compreensão do AR (ou E = M2) apresenta um conjunto de obras do artista plástico caçapavense Egidio Rocci (1960 - 2015). Na exposição, o espectador passará por uma experiência imersiva na poética do artista. Além dos objetos dispostos no espaço, uma projeção de vídeos-slides de fotos de estudos de Rocci e um breve documentário sobre sua produção podem ser vistos em um espaço reservado e convidativo.
Egidio propõe, com sua pesquisa, a         transformação - ou a elevação - de objetos que outrora tiveram função e propósito como utilitários - móveis, criados-mudos, bancos, estantes,   prateleiras, ou simples pedaços de madeira. Estes objetos aleatórios, ao cruzarem com o caminho de Egidio, eram retirados dos depósitos de móveis antigos e usados, onde muitas vezes estiveram esquecidos por anos, e ressignificados e elevados à condição de obras de arte em museus, galerias e centros de cultura.  O filtramento, ou processo   criativo do artista em questão, revela ao espectador estruturas escondidas nos objetos de madeira, seja através da eliminação, desmonte parcial ou incorporação de elementos escolhidos de forma precisa pelo artista, compartilhando, assim, seu modo de relacionar-se com o mundo. Egidio assume um papel de intérprete no diálogo entre a madeira e o metal, entre móveis com cara de casa de vó e móveis de escritório, entre o design e a arte, entre o descartado e o encontrado e ainda, entre o esquecido e o lembrado.

O olhar do artista e seu objeto de interesse ficam perceptíveis nos slides projetados em uma das paredes do espaço expositivo. Uma grande parte deles traz fotos tiradas da janela de seu ateliê no Edifício Sta. Branca situado na Avenida Duque de Caxias, em São Paulo entre os anos de 2010 e 2012. Outra parte traz fotos tiradas da sua própria    residência, no 8o andar de um edifício em São José Dos Campos, com sua máquina Fujifilm - Finepix HS10 HS11. No vídeo-slide, é possível perceber que mesmo diante de uma janela fixa e de uma paisagem pacata e simples, Egidio organiza seu olhar e convida aos detalhes de seu encantamento: uma conversa entre urubus, camisetas de times de futebol secando ao sol, pessoas andando na rua carregando sacolas de supermercado. Todas estas cenas que passariam despercebidas ao olho comum cativam o olhar do artista e se transformam em objeto de interesse profundo de Egidio. É possível perceber a riqueza de elementos que um mesmo local oferece no dia-a-dia de cada um. Em dado momento, percebe-se, finalmente, que aqueles que ficam nas janelas com suas almofadas aos cotovelos por horas a fio, têm razão para fazê-lo: os dias são todos diferentes e há muita beleza em apreciar o tempo.
E = M2, ou “Egidio por metro quadrado”, é uma referência às estruturas esculturais manipuladas por ele que ocupam áreas com inúmeras memórias de objetos antigos. Memórias estas que foram renovadas em seu ateliê trazendo enigmas a serem desvendados pelos espectadores de seus trabalhos. Correr os olhos, como que em raio-x, pelas estruturas das obras de Egidio proporciona uma compreensão diferente do ar que envolve as esculturas. Os ambientes que tiveram como principal função, a guarda, passam a desvendar o espaço que antes, apenas o ar compreendia. O cheiro de guardado se esvai gavetas são travadas ou descartadas e o conteúdo de seus trabalhos torna-se parte do imaginário de quem os vê, expondo, cada um, seus próprios guardados.

Laerte Ramos

 

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"Scapeland"

2018 - Memorial da América Latina

Artistas: Ana Ruas - Anderson Godinho - Azeite de Leos - Beatriz Ruco - Cesar Fujimoto - Danielle Noronha - Daniel Nogueira de Lima - David Almeida - David Magila - Diego Castro - Egidio Rocci - Erica Kaminishi - Evandro Prado - Fran Chang - Gabriela Sacchetto - Gilson Rodrigues - Guilherme Callegari - Guilherme Teixeira - Henrique Detomi - Hermano Luz - James Kudo - João Loureiro - João GG - Katia Fiera - Laura Gorski - Leandro Costa - Mai Fujimoto - Maíra Fukimoto - Marcelo Amorim - Mauricio Adinolfi - Mauricio Parra - Nazareno Rodrigues - Paulo Almeida - Regina Silveira - Renata Cruz - Ricardo Alves - Santos Amaury - Sergio Allevato - Sergio Romagnolo - Thiago Toes - Ulysses Boscolo - Vitor Mizael - Yara Fukimoto - Yasmin Guimarães - Yasushi Taniguchi - Yuli Yamagata

+ Núcleo de Performance

Luanna Jimenes - Renan Marcondes - Roberta Uiop - Shima

Curador: Laerte Ramos

Fotos: Thiago Toes

Scapeland: Território de Trânsito Livre

O ato de se deslocar implica em algo, ou alguém, ir de um lugar a outro.

Longe? Perto? A distância pouco importa. O que move é o impulso, a possibilidade de transformação, seja qual for o percurso.

A capacidade de se exprimir de acordo com a sua vontade, é uma das virtudes clássicas atribuídas a um artista. O poder de ser livre, a possibilidade de transitar em diferentes paisagens, conceitos, materiais, ir e vir sem limites de território.

Aqui não há barreiras físicas, há diálogo, troca e aproximação. Dos que se unem, dos que se reconhecem, daqueles que se admiram e se inspiram. Dos que transitam.

Paisagens compostas por tinta, madeira, luz entre outros materiais, habitadas por aviões, motos, pontes, árvores, montanhas, terras e monumentos, compõem este panorama dentro do espaço expositivo da Galeria Marta Traba dentro do complexo do Memorial da América Latina.

Scapeland é um território atingido pelo do olhar de um artista, sobre a produção de outros 46 artistas, um mapa de encontros com um ponto de fuga.


Laerte Ramos.

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"Onde a distância do horizonte se perde"

2019 - Atelier Piratininga

Artista: Ana Takenaka

Curador: Laerte Ramos

Fotos: Ulysses Bôscolo

ONDE A DISTÂNCIA DO HORIZONTE SE PERDE

 

 

Ana Takenaka apresenta o resultado de sua pesquisa durante a residência de três meses no Atelier Piratininga. Esta imersão proporcionou troca de poéticas com outros artistas, um novo ambiente de trabalho, rotina e experimentações. Ana mostra duas séries nesta exposição: "Vôos n'água" e "Natureza do rabisco", esta última iniciada em 2013.  

A primeira, são combinações de matrizes, criando narrativas com espacialidade difusa. Esta atmosfera em seu trabalho une tudo o que contém o ar e o mar, onde a distância do horizonte se perde, e em seu percurso encontram-se pássaros, baleias, embarcações, submarinos e ilhas. A liberdade de conectar elementos, mesmo que presos em suas matrizes de diferentes tamanhos, quando impressos em um mesmo papel, ganham unidade desenvolvendo uma narrativa única e descontraída de uma racionalidade objetiva. Por sobre todas as matrizes que colaboram entre si para a composição de seus trabalhos, Takenaka por fim adiciona uma última matriz de polipropileno ou PET, proporcionando a cobertura total da superfície do papel. Assim, a artista elimina as memórias de relevos das matrizes anteriores, unindo a composição, sem enquadramentos particulares em cada foco de imagem. 

Na gravura, a prensa utilizada é algo que determina o tamanho das obras em suas dimensões, porém, a profundidade nos trabalhos de Ana Takenaka vai além de seus tamanhos convencionais. Nela é apresentado o encontro da memória com o imaginado, como se tivesse finalmente, encontrado o horizonte e eliminado todas as suas distâncias.

Em sua segunda pesquisa, Ana apresenta as monotipias, que são impressões únicas realizadas por desenhos feitos no verso das folhas de papel. Estudar, sentir, encontrar as linhas é o desafio que a artista se faz quando se concentra, em um estado meditativo, ao som de músicas de seu agrado, e por fim, em comum acordo com o papel, busca este encontro com as linhas, eternizando este momento sagrado. Takenaka encontra uma variação infinita de linhas, ora como garatujas, lembrando desenhos de crianças; ora carregadas de mais força, densidade e a objetividade de um traço adulto. A transparência do papel japonês, junto às sutis variações de cores, sugerem ao espectador a brincadeira do que esta na frente ou atrás da folha, de qual lado está o verdadeiro desenho. 

Estes trabalhos monotípicos, lembram as antigas cadernetas de anotações que ficavam ao lado dos telefones de linha, nos quais ao passar o tempo em uma ligação, muitos desenhavam sem compromisso, surgindo linhas e desenhos aleatórios, descompromissados, construídos por meio de uma conversa qualquer, sem que a outra pessoa presenciasse a ação.

 

Ana, carrega em seu sobrenome o Take (bambu), e Naka (dentro). Assim como o Bambú que contém o ar dentro de seus gomos e os expande por meio de sua maturação em seu ciclo de crescimento, a artista busca em cada obra abrir estes gomos, divididos por linhas, de maneira planificada. O encontro com o dentro e o fora, usando o ar como ligação entre todos e nós 

 

Laerte Ramos 

LAERTE RAMOS

laerteramos78gmail.com

@laerteramos

Av. Rio Branco 320 apto 111

Campos Eliseos - São Paulo/SP - Brasil

+55 11 99763-0959

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