LAERTE RAMOS

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50%off - Concurso Cultural,  2014

Resultado do Concurso Cultural 50%off

Texto premiado: TXT 03

Autor: Barbara do Amaral

Prêmio: um par de esculturas de cerâmica (da série 50%off/anti-derrapante)

 

Textos participantes selecionados:

 

TXT 1

Tíluto: 50% Off

Autor: Katia Fonseca 

 

Pés, dedos, planta

Firmeza, realidade, razão

De modo esportivo ou clássico

Não importando o modelo

Invólucro  essencial conduzindo nossa base, sonho, desejo.

 

Pegadas no caminho ou rastros misteriosos

Digitais descartáveis controlando movimentos e estabilidade

Não importa se é plano,  raso, chato, cavo, pé neutro, pronado

Pisada firme amortecendo a realidade.

 

Esperança para o cansado

Terra firme para o sonhador

Corrida para o acomodado

Esportivo para o amador

 

Paixão pelo cadarço amarrando vidas

Como ironia do destino

Cruzando caminhos

No afã de ir e vir  como forma de desatino

 

Prateleiras, concreto, cores de um sonhador....

TXT 2

Tíluto: A ladeira

Autor: Francisco Hurtz

 

Decidido, como se soubesse de tudo

Caminho em pernadas tão largas

Que caberia um abismo entre elas

A rua é uma subida íngreme 

Eu vejo carros e pessoas

Que são paisagem, não paradeiro 

Os passos são tantos que me canso 

Então o caminho me toma vencido

Eu suo, eu perco o ar, eu penso

Queria entender a realidade nos pés e coxas 

Como quem sobe uma ladeira

 

TXT 3 (texto vencedor)

Tíluto: Vidas 50%off

Autor: Barbara do Amaral

 

Em cada pisar um pesar

Desentupindo o asfalto na esquerda,

Violentando bitucas e chicletes 

Ao som do estalo do chicote da urbe. 

A cada passo, a borracha da sola e da sala, 

Apagam os minutos passados,

As pessoas passantes, 

Escrevendo com sobreposições 

a fragilidade do indivíduo. 

A cada laço que aperta e apega

O ato do ego que mata

Por um par ou pelo impar de ser, 

Pela arma de aço ou pelo cadarço

Vidas condenadas no ter.

 

TXT 4

Tíluto: 50%off

Autor: Enzo Sobocinski

 

Ninguém sabe, ao certo, onde Laerte pisa. Laerte, talvez, voa. Bem alto, no céu, na companhia dos pombos, que lhe fofocam o dia a dia dos pedestres vaidosos e orgulhosos, lá embaixo. Pedestres esses que pisoteiam os pobres pombos - que, quando distraídos, caminham pelo chão - e que, por sua vez, Laerte lhes registra o trágico destino, em sua rasante caminhada. Cada pedestre tem seu rumo, seu ego, sua personalidade. E, por isso, faz questão de usar cores marcantes nos pés, para que ninguém o confunda... E para deixar bem claro e marcado que a última pomba branca do caminho foi pisoteada por ele.  É sempre o pé mais forte que pisoteia (o direito), para que não haja possibilidade nenhuma de as pombas sobreviverem, para que elas não fofoquem ou espalhem mais os seus segredos por aí... (e é por isso, quando podem, que as pombas se vingam, lá de cima...). Laerte, aflito, não pode fazer nada. Ele é um mero observador e sua sina é fazer com que o carma destas criaturas, tão amaldiçoadas, seja amenizado. Ele não pode mover a roda do destino. Assim, lhes oferece abrigo, em bunkers que constrói nos ramos das árvores mais altas, onde podem tentar viver em paz – já que, há muito, deixaram de ser o símbolo da paz. 

Laerte é o mediador, ele está no centro da Batalha desta guerra-sem-fim. Quando sonha, visualiza pombos e pedestres se enfrentando num grande Front (terra, água e céu), cada parte munida dos mais sofisticados e avassaladores equipamentos bélicos jamais criados, pois estão em jogo seus mais íntimos desejos de vingança: Pombos a favor dos milhões de irmãos mortos pisoteados pelo mundo afora e pedestres indo à forra para aniquilarem toda e qualquer possibilidade de terem seus segredos vaidosos arreganhados por essas criaturas fofoqueiras e malignas, que um dia - vejam só - dizem ter sido o símbolo da paz!  Com seu vru-vru-vru são capazes de tramar intrigas que já foram motivo de crimes e assassinatos entre a comunidade pedestre...

Pensando e pensando muito, Laerte desperta, aflito  e ensopado dos seus sonhos/pesadelos, pois sua ânsia inventiva é inquietante - ele precisa fazer algo, porque afinal, é amigo de pedestres e o é também, de pombos. Com furor criativo (uma lâmpada se acende), começa obsessivamente a confeccionar os mais lindos calçados coloridos já vistos. Porém, com um toque de genialidade, fabrica apenas os pés esquerdos... E os coloca à venda, numa promoção:... - Metade do preço!

Sabiamente Laerte persuade os pedestres, atraídos pela vaidade e orgulho que, ao adquirirem multicoloridos exemplares, sem perceber, não vão poder mais pisotear os pombos... Estes, por sua vez, vão procurar se comportar e ficar calados, em agradecimento à camaradagem do amigo ali...

 

TXT 5

Tíluto: 50% off. Nós. aqui.

Autor: Danilo Dal Lago

 

(olhando. pela porta. dá uma olhada na placa do lado de fora. olha de volta pra dentro da sala. uma porta de vidro aberta, outra fechada. pensa. olha de novo pra placa. horário de funcionamento segunda à sexta das10h às 18h. olha no celular, são 18:50. olha ao redor, pensa. entra. o outro entra em seguida. um pouco depois a outra vai entrar.).

legal né?

que incrível. e simples.

mas é de verdade?

é. como assim?

não sei.

gente... é feito. ele fez?

então, olha aquele. tá meio pastoso, olhando.

é, esse não parece. 

encosta em um aí, só pra ver.

não, não pode. louco.

só uma encostadinha, pra ver do que é.

me parece que não é de verdade não.

vou encostar, pronto. (toca um tênis) falei! não é.

não é?

não é. é tipo de argila. cerâmica.

cerâmica não, burro. cerâmica é outra coisa.

acho que não, mesma coisa.

acho que não, outra coisa.

ah, não sei. 

gente.

mas eu acho que é feito por cima do tênis, sabe?

hum, pode ser.

tem o tênis de base já, e ele faz por cima, renovando, muda a cor. mas o modelo já é, ele segue o modelo.

deve ser tudo tênis velho!

pode ser.

certeza, pegou tudo tênis velho.

...

tem uns fofos né. eu gosto, mas não usaria a maioria.

eu usaria.

o rafa eu sei que usaria todos.

usaria todos. 

eu não tenho muita coragem de tênis colorido, mas alguns são bonitos. esse eu usaria.

aquele roxinho, e o lilás.

não, roxo é demais vai.

ah, eu gostei. ou o azul clarinho, da hora.

(continua olhando os tênis. o outro pega um panfleto e dá uma olhada)

olha, é pra você isso, dramaturgo. você escreve um texto sobre a exposição e ganha um par. você tá precisando.

tô mesmo. esse aqui é o mais novinho que eu tenho, o resto tá tudo aberto.

hahaha.

vou trazer pra ele renovar aqui.

(entra a outra)

nossa, olha isso tudo!

legal né, a gente descobriu que é de mentira.

é de mentira?

de argila. ou cerâmica.

não, jumento!

argila por cima do tênis velho que usa de base.

é uma hipótese.

por enquanto é isso.

(tira fotos)

olha aquele, olha a o rosa! o verde de cano, deus. 

louca.

a louca né. eu quero esse, aquele, quero esse, quero esse também, mas a exposição não é sobre isso!

hahaha mas é o que a gente pensa né. 

não quero ser consumista, mas dá vontade.

escreve sobre isso, dan. o consumismo, o mercado versus a arte, vai ser sucesso, vai ganhar.

hahaha idiota.

é muita maldade eu roubar um?

tonta.

brincando.

só tem um pé de cada.

eu uso um diferente do outro, não ligo. 

acho que só tem esquerdo, ah não, acho que tem direito. de um lado e do outro. ou tá misturado, não sei.

brincando fofo, não é de usar isso.

posso entrar aqui no corredorzinho entre eles pra tirar uma foto?

acho que não. mas não tem ninguém olhando.

eu já encostei, é muito pior encostar na obra do que entrar no meio delas.

tá rapidinho. vai, tira uma foto.

(tira foto)

eu também.

parece a capa do disco xou da xuxa.

hahaha minha pose.

vamos.

deu já vai.

preciso trocar de tênis.

eu gosto desse.

 

TXT 6

Tíluto: 50% off

Autor: Laerth Motta

 

Quanta gente!

/dobras/

Quantas cores tem seus pés!?

Quantas mãos em cada passo?

/vincos/

Quantos caminhos... (é)

Pedras, desejos

 

Quão frágeis

Somas

/desgastes/

Quantos lugares descobertos. 

 

TXT 7

Tíluto: Tantos Infinitos Quilômetros

Autor: Gus Moura de Almeida

 

A exposição “50% OFF – Dobras, Vincos & Desgastes” agraciada no âmbito do Prêmio FUNARTE de Arte Contemporânea – 2014 e em visitação na Galeria Flávio de Carvalho entre 05.03.15 e 18.04.15 aponta para a consolidação do artista paulistano LAERTE RAMOS (1978) como o mais atual e meticuloso ceramista de nosso país. 

 

Após frequentar os dois mais renomados centros de conhecimento ligados à cerâmica: European Keramic Work Center – EKWC (Países Baixos), em 2007/2008; e The Pottery Workshop – PWS (China), em 2015; o artista migrou da bidimensionalidade primordial de suas gravuras para os grandes conjuntos de escultura que cria naquela técnica. 

 

A presente mostra, cujas etapas de projeto, pesquisa de campo, coleta de dados e produção, levou dois anos para ser realizada; vem a ser a conclusão de um projeto maior, consagrado em uma anterior exibição no Itaú Cultural, também em São Paulo, no ano passado. Pois, o que se vê na sala de exibição é um conjunto de 304 esculturas em cerâmica pintadas à mão, feitas a partir de um molde em gesso (matriz), originado do modelo seminal trabalhado em argila. As peças representadas não são pares, mas os pés esquerdos dos mais variados tipos de tênis. Os pés direitos, justamente, constituem aquele primeiro conjunto. Deriva-se daí a ideia dos 50 pontos percentuais – símbolo da parte metade. Assim, o fato de que ainda não se tenha visto os pares devidamente casados, desta colorida, vibrante e diversa reunião de inúmeras marcas, é um dos elementos que lastreia o título desta monumental instalação, compreendendo uma grade cartesiana, formada por 19 fileiras de tijolos em concreto a servirem de base para a montagem, uma a uma, de 16 esculturas em cada fileira. 

 

Algo que não se pode dissociar do universo enciclopédico da pesquisa do artista é a interseção da arte com a moda. Com este olhar, foram coletados não apenas os seus próprios calçados, mas também, aqueles muitos outros doados por pessoas de seu convívio ou ainda da indústria.

 

Sobretudo, a imagem mais relevante que me ocorre ao observar o resultado desta odisseia é, mutatis mutandis, o lendário exército de terracota de Qin, o primeiro imperador chinês; obra funerária descoberta em 1974 na cidade de Xian tão inestimável que recebeu da UNESCO o título de patrimônio mundial da humanidade. Isto porque, além da harmônica e metódica disposição de ambos os conjuntos, coube ao artista, como apontado pelo subtítulo desta série, reproduzir, com requintes de precisão, cada peça sem esconder o passado indelevelmente impregnado de historicidade - vida com “cicatrizes” - destes objetos inanimados tão vivazes, quanto presentes em cada passo e nos caminhos percorridos por aqueles que serviram deles para chegar ao lugar desejado, ou escapar do perigo, ou simplesmente permanecerem. Ainda que tal operação seja dada pela apropriação projetada ao se vir, de uma só vez, tantos infinitos quilômetros.

 

 

TXT 8

Tíluto: Valores, fetiches

Autor: Rodolpho Bertolini Junior

 

Conheci o trabalho de Laerte Ramos na galeria Triângulo por volta de 2003. Naquela época ele estava expondo impressões de suas máquinas gravadas em MDF. A Casa Triângulo ainda ficava em uma elegante sobreloja de esquina, próxima ao Largo do Arouche. Fiquei impressionado com aquela exposição. Eu estudava xilogravura em um curso livre e fazia desenhos de máquinas fantásticas nas paredes da cidade, por isso me identifiquei mediatamente com as gravuras de Laerte que eram quase diagramas esquemáticos de mecânica. Desde lá já vi Laerte expor soldados de brinquedo, armas de cerâmica, casas de

passarinho e agora, tênis. Não o esporte; o calçado! E este é outro assunto de que gosto muito.

O trabalho 50% Off conheci no Itaú Cultural em 2014. Os calçados estavam dispostos em nichos na parede e ocupavam uma grande área no subsolo da instituição da Avenida Paulista. Uma fotografia que tirei da obra na época não deixa distinguir se colhi a imagem em uma loja de calçados ou durante a mostra. A principal diferença entre a mostra do Itaú e esta atual da Funarte é a maneira como os trabalhos foram expostos. Desta vez, Laerte dispôs os calçados sobre blocos de construção arrumados uniformemente sobre o centro da sala. A maneira disposta e a iluminação da sala tiram um pouco da característica de venda. Mas não muito: a competência técnica da reprodução que conseguiu manter o peso visual nos objetos representados é imensa. Copiadas com grande fidelidade, as cores vibrantes e a textura dos tênis estão ali. O cadarço verdadeiro dá o toque realista que faltava. Surge o desejo de

consumo.

Desde quando as marcas de tênis importados pipocaram no Brasil no final dos anos 80, andar com um destes produtos faz parte do desejo dos consumidores. Não é a qualidade da fabricação que importa, mas a marca do fabricante estampado no pé. New Balance, Reebok, Adidas, Nike, M2000, Le Cheval; você não está de tênis, está de Nike. Usar os tênis importados é sonho de consumo, os tênis são fetiche. Creio que Laerte Ramos compartilha deste gosto por tênis e acabou por fazer uma comparação com a fetichização da obra de arte. Os artigos reproduzidos em sua exposição provocam o consumo, são duplo fetiche: obra de arte e tênis! Somase a questão da utilidade da obra de arte ou do que ela está representando ou significando. E a brincadeira com o valor no nome da obra completa o trabalho. 50% de desconto é justo para quem leva apenas metade de um par os tênis reproduzidos eram todos apenas do lado esquerdo.

 

 

TXT 9

Tíluto: Sem Título

Autor: Lu Mota

 

Eu ando por ai.

Apenas com um pé,

porque meu outro pé

esta na exposição

50% off.

Se eu não ganhar o outro pé,

viverei o resto dos  meus dias

por ai.

Como Saci Pererê.

 

TXT 10

Tíluto: Ex passos

Autor: Débora Valiante

 

Vislumbre

os calços concretos

dos pés descalços.

Entre passos

mire os espaços.

As cores marcantes

convidam.

- Entre!

Circule em ré

dOm dOs passos.

Flutue no ár

duo destino.

Desate os cadarços da vida.

Pés esquerdos

direitos diversos distantes

dos muros

do mundo oscilante.

- Entre!

Caminhe nos espaços

com passos diretos

incertos.

 

TXT 11

Tíluto: Sem título

Autor: Cláudia M. Boucault

 

Caminhar....

Cores que caminham,

A cada pisar um contentamento;

Imaginação,

O poder da criação me fez viajar,

Neste andar colorido

Que me faz sonhar.

Caminhar, caminhar....

 

 

TXT 12

Tíluto: Laerte Ramos, 50% off na Funarte SP

Autor: Evandro Prado

 

Uma exposição de cair o cu da bunda!!!

 

Entra na sua última semana, 50% off de Laerte Ramos na Funarte de São Paulo!!! Que o artista é mestre da cerâmica não é novidade pra ninguém, suas exposições nos últimos anos, e principalmente a do octógono da Pinacoteca (Veja aqui) provam isso!!! 

 

Pra começar a falar sobre esta nova exposição de Laerte Ramos, vamos voltar ao ano passado, na exposição Singularidades/Anotações dos 15 anos do Programa Rumos Itaú Cultural, lá o artista também apresentou 50 off (Veja aqui) com 300 diferentes tênis de cerâmica das mais variadas cores, marcas e modelos, todos eram apenas o pé direito, e expostos numa enorme prateleira.

 

Agora na Funarte, o artista apresenta 304 diferentes tênis, são só os pés esquerdos. A expografia agora é horizontal, todos os tênis estão no chão, em cima de blocos de cimento. O impacto ao entrar na sala é muito forte e por vários motivos. Seja por pensar que tudo isso é feito de barro, modelado a mão (não é atoa que o artista dedicou os últimos dois anos a confeccionar estas duas instalações), ou seja pelo impacto das cores e tamanho que o trabalho tem.

 

Assim como nas lojas, os tênis são apresentados ao público pela metade, vc só vê um pé, o motivo? Evitar o roubo, não dá pra sair andando por aí com apenas um pé calçado. 

 

 

Confesso que fiquei por alguns minutos procurando algum repetido, do mesmo modelo que tivesse só cores diferentes, e não encontrei. Todos os 304 modelos distintos vieram de compras, empréstimos ou doações que Laerte recebeu.

 

Quem já trabalhou com cerâmica sabe da dificuldade que é produzir uma peça. Modelar, esperar secar, lixar, dar acabamento, ir pro forno, queimar, pintar, ir pro forno de novo... todo o processo pode demorar semanas. É preciso muita técnica, paciência e muito respeito pela argila.

 

E como uma loja, a exposição também tem seu SAC (Serviço de Atendimento ao Cliente), mas ele não está recebendo reclamações e sim propõe uma espécie de concurso ou promoção. O regulamento diz para escrever um texto, ensaio ou poema sobre sua reflexão da exposição até o dia 20 abril  e enviar para o e-mail: promocao50porcentooff@gmail.com com nome e telefone. O vencedor ganhará um par de tênis em cerâmica. O resultado será divulgado dia 25 de abril de 2015 no site do artista. 

 

Eu já estou escrevendo meu e-mail e cruzando os dedos!!!

 

 

TXT 13

Tíluto: Calcanhar de porcelana

Autor: Gastão Debreix

 

Concreto bloco pedestal

Cimento e cor/frágil e pesado

Um pátio lotado, todos 0 km

Calçadas congestionadas vibram:

Viva a festa, o desfile, a parada.

 

 

TXT 14

Tíluto: Pés Esquerdos

Autor: Filippo Valiante Filho

 

Trezentos e quatro passos.

Quantos outros grãos de poeira

Surram cadarços puídos

E pueris lembranças?

Em uma volta

(e meia)

Volta.

 

Trezentos e quatro pedaços

De argila arguitiva

Por que vicissitudes errantes

De erráticas virtudes

Que estas solas assolam?

De volta.

 

E em que volta perdi meus pares?

 

 

TXT 15

Tíluto: Complexo Mundo

Autor: Marta Nicholson

 

As cores, exaltam os olhos

As formas ressaltam a ideia

Mas não são elas, as formas, as cores

Mas sim elas, as marcas

As marcas que marcam a vida

A vida ali refletida

Em forma de tênis que marcou no caminho

Caminhos diversos

Por pessoas distintas

Com marcas, sem marcas

Pobres, caros

Marca de vidas variadas

Que compõe esse mundo retumbo

Ali expostos num conjunto

Como parte desse mesmo mundo

E assim resumidamente

Expõe o que é diferente

E singular da gente

Formando esse complexo

Côncavo e convexo mundo

 

 

TXT 16

Tíluto: O sapato que uso

Autor: Marta Nicholson

 

O Sapato que uso

Gasto

E gastado ele fica

De vida

Cada chão que pisa

Marca

Até que de tanto usado

É lixo

Esse assim moldado

Sem marca, guardado

Fica

Ironia, sabia?

Esse sapato guardado

Vale mais que o meu usado.