LAERTE RAMOS

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Territórioland, por Guy Amado - 2008

Uma frota de barcos de guerra, modulares, à maneira dos jogos de batalha naval; uma “patrulha de resgate” médico, composta de misteriosos soldados-caixa; uma improvável esquadrilha de “falsos” aviões de papel e montanhas com cumes removíveis e rampas projetando-se de seu interior. São estes os curiosos protagonistas de Territórioland, mostra de trabalhos recentes de Laerte Ramos. Em comum, mais imediatamente o fato de serem todos objetos confeccionados por meio de técnicas de cerâmica. Menos que propriamente uma instalação, conformam-se como pequenos conjuntos de objetos, contaminando-se mutuamente mas parecendo querendo resguardar certa autonomia em sua fisionomia peculiar, marcada pela estranheza e pela estilização elegante e despojada que caracteriza a produção gráfica do artista – aqui também representada por uma série de xilogravuras. E há ainda a referência ao território, já no título, que sugere outras relações em curso, embora não efetivamente objetivas. Aos poucos pode-se inferir uma trama de associações tão possível como improvável, a partir por exemplo da suave referência bélica presente nos barcos, soldados e aviões. A formalização não-realista dos objetos, de feições lúdicas, alude a um repertório visual infanto-juvenil, obedecendo a um raciocínio que privilegia a simplicidade e a reinvenção típica dos desenhos de memória, a meio caminho entre a representação e a abstração. As montanhas, indício mais concreto da noção de território, apresentam-se como uma espécie de “paisagens portáteis”, oferecendo-se de forma ambígua ao toque – um convite negado, contudo, por conta da delicadeza do material. Tem-se então um livre-jogo de “conquistas” e contaminações em que as peças parecem enunciar uma invenção de território, onde uma quase-narrativa se delineia menos a serviço da construção do sentido que da imaginação.