LAERTE RAMOS

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Artistas mostram novos olhares sobre si mesmos, por Alexandra de Moraes - 2004

Os trabalhos de Hildebrando de Castro e Laerte Ramos mostram, a partir de hoje, na galeria Casa Triângulo, sinalizam novos olhares sobre suas próprias obras. Depois de sete anos morando e pesquisando em Nova York, Hildebrando, 46, voltou ao Brasil no fim do ano passado para, pela primeira vez, morar em São Paulo. Além da mudança física, sua obra também experimentou transformações, em curso ja há cinco anos: a transição do pastel para a pintura e, pela primeira vez, a realização de paisagens. As imagens, em grandes formatos, vieram e fotos de cartões postais de cataratas de Foz do Iguaçu, trabalhadas, na pintura de Hildebrando, em tons de cinza. “A pintura é nova pra mim”, conta. “Não conseguiria reproduzir a luz, as veladuras, as transparências da fotografia em pastel, alguns trabalhos paravam por causa destas limitações, por isso mudei para a pintura”. “Antes, quando eu fazia os retratos em pastel, todo mundo achava que era pintura. Agora, todo mundo acha que a pintura é pastel”, brinca, sobre as semelhanças guardadas entre as duas “fases” de sua produção. As sombrias vistas das quedas d’água executadas com habilidade peculiar de Hildebrando, que marca fortemente o movimento daquelas paisegens, não eram, no entanto, a primeira opção para a mostra. O artista iria exibir uma série de retratos de uma só mulher, várias pinturas em sequëncia de movimento, que foram mostradas em abril deste ano na galeria Laura Marsiaj, no Rio. “Conversando com Ricardo [Trevisan, da Triângulo], chegamos a essas pinturas. Elas são como imagens de memória, refúgios.” Já Laerte Ramos, 26, mostr, no mezanino da galeria, a exposição “Acesso Negado”, com suas também inéditas peças em cerâmica, as primeiras esculturas que expõe. São trabalhos recentes, “literalmente saídos do forno”, segundo o artista, que transportou pequenos pedaços da série de xilogravuras “Sobre Rodas” para a escultura. “A xilo è a raiz do meu trabalho. Posso fazer pintura, escultura, vídeo, mas sempre carrego o pensamento da gravura, diz. A série “Sobre Rodas”, desenvolvida desde 2000, mostra máquinas e veículos inventados pelo artista a partir de elementos reais, sempre trabalhados em preto e branco. “Dá para olhar e imaginar como estas imagens ficaram em três dimensões, nas impressões em preto-e-branco. Resolvi tentar trabalhar essas coisas no plano tridimensional, com peso, leveza, entradas e saídas” explica Laerte, que chamou as peças em cerâmica de “máquinas de invasão”.“Esse trabalho tem um aspecto de colecionador e de auto-reprodução”, pontua Laerte. “As imagens vão se reproduzindo com alterações,  vêm do universo que venho trabalhando na gravura.” Em xilo, já são “mais de 300” imagens. “Quero chegar a 500, para fazer um “Guia sobre Rodas”. Além das “máquinas de invasão”, Laerte apresenta soldadinhos de chumbo que têm a parte de cima do tronco em formato de casa, dispostos spbre um mapa feito de serigrafia. Esses trabalhos começaram a ser desenvolvidos durante a estada do artista na Suíça, onde estava por uma conta de uma bolsa da Fundação Beyeler, que ganhou na Trienal de Gravura Contemporânea de Locle, no mês passado. “Nesses trabalhos, entra o aspecto humano, o fato de os soldadinhos serem brinquedos, mas feito de chumbo, um material de guerra e tóxico. A parte de cima é onde tem o sentimento, a vontade dos soldados de voltar para a casa”.